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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Chocolate, o filme: uma leitura do lugar das mulheres na ordem das coisas




Chocolate, o filme, apresenta-nos uma história na qual procuramos desvendar os meandros pelos quais a violência de gênero se constitui e tece seus fios nas malhas do poder normativo da religião, da ciência e da política. Um sistema de poder de cuja produção e manutenção todas as personagens participam, ainda que de formas diversas e em graus variados.

O filme do diretor Lasse Hallström, é baseado em romance homônimo de Joanne Harris, e conta a história do vendaval causado por Vianne Rocher, com sua chegada a uma pequena cidade no interior da França, onde resolve instalar sua loja de chocolates. Sua chegada à cidade se dá num domingo, no momento em que se celebra a missa, e da qual participam os moradores, sob forte vigilância do Conde de Reynaud. O Conde nos é apresentado como um homem versado em história, paciente, que acreditava na sabedoria de seus antepassados, que “cuidava” do vilarejo e procurava se mostrar como exemplo aos demais cidadãos, por meio da dedicação ao trabalho, modéstia e disciplina. Portanto, alguém cuja autoridade se baseia na tradição familiar e religiosa: seu antepassado, o primeiro conde de Reynaud expulsara os huguenotes da cidade. Seu “cuidado” se expressa no extremo controle que exerce sobre a vida e as atividades dos moradores. É ele quem recepciona os fiéis à porta da igreja e é também ele quem escreve ou revisa os sermões que o padre profere. Assim, embora formalmente seu cargo seja apenas político, na prática ele personifica não apenas o poder político, como também o acadêmico e o religioso. Os moradores da cidade, segundo nos informa a narradora, “acreditavam em tranquilidade. Todos os que viviam na cidade agiam segundo o que se esperava deles. E conheciam seu lugar na ordem das coisas, o que, aos esquecidos, era logo relembrado. Se vissem algo que não deveriam, aprendiam a olhar para o outro lado”. Era um lugar onde os desiludidos aprendiam a não pedir mais. Assim, “na alegria e na tristeza, na fome e na fartura, os habitantes se apegaram às tradições”.

Veja mais em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/MA/article/viewFile/689/690

Postado por Kaique Lima e Aryanna Bellaguarda.


Um comentário:

  1. As relações de subjetividade com o filme Chocolate estão no comportamento de seus personagens, já que subjetividade é o que se passa no intimo do individuo. É como ele vê, sente e pensa a respeito sobre algo. Não segue um padrão, pois sofre influências da cultura, educação, religião e experiências adquiridas.
    Com o "vendaval" provocado por Vianne, no filme, todos começaram a viver como realmente queriam, deixando de seguir uma regra ou um modo de vida que era imposto por algo ou alguém. Mostrando assim que a subjetividade é mutável, não segue um padrão, pois estamos mudando constantemente.

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