Chocolate, o filme, apresenta-nos uma história na qual procuramos desvendar os meandros pelos quais a violência de gênero se constitui e tece seus fios nas malhas do poder normativo da religião, da ciência e da política. Um sistema de poder de cuja produção e manutenção todas as personagens participam, ainda que de formas diversas e em graus variados.
O filme do diretor Lasse Hallström, é baseado em romance homônimo de Joanne Harris, e conta a história do vendaval causado por Vianne Rocher, com sua chegada a uma pequena cidade no interior da França, onde resolve instalar sua loja de chocolates. Sua chegada à cidade se dá num domingo, no momento em que se celebra a missa, e da qual participam os moradores, sob forte vigilância do Conde de Reynaud. O Conde nos é apresentado como um homem versado em história, paciente, que acreditava na sabedoria de seus antepassados, que “cuidava” do vilarejo e procurava se mostrar como exemplo aos demais cidadãos, por meio da dedicação ao trabalho, modéstia e disciplina. Portanto, alguém cuja autoridade se baseia na tradição familiar e religiosa: seu antepassado, o primeiro conde de Reynaud expulsara os huguenotes da cidade. Seu “cuidado” se expressa no extremo controle que exerce sobre a vida e as atividades dos moradores. É ele quem recepciona os fiéis à porta da igreja e é também ele quem escreve ou revisa os sermões que o padre profere. Assim, embora formalmente seu cargo seja apenas político, na prática ele personifica não apenas o poder político, como também o acadêmico e o religioso. Os moradores da cidade, segundo nos informa a narradora, “acreditavam em tranquilidade. Todos os que viviam na cidade agiam segundo o que se esperava deles. E conheciam seu lugar na ordem das coisas, o que, aos esquecidos, era logo relembrado. Se vissem algo que não deveriam, aprendiam a olhar para o outro lado”. Era um lugar onde os desiludidos aprendiam a não pedir mais. Assim, “na alegria e na tristeza, na fome e na fartura, os habitantes se apegaram às tradições”.
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Postado por Kaique Lima e Aryanna Bellaguarda.